23 outubro 2026
Menos burocracia, mais escola (Acção Socialista n.º 2030 de 22.10.2026)
10 outubro 2026
17 DE OUTUBRO | MANIFESTAÇÃO NACIONAL
Por melhores salários, pensões dignas e um novo rumo para Portugal!
A Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN apela a uma forte participação na Manifestação Nacional convocada pela CGTP-IN para o próximo dia 17 de Outubro.
Perante o aumento do custo de vida, os baixos salários e pensões e as dificuldades crescentes nos serviços públicos, não podemos ficar indiferentes!
É tempo de exigir melhores condições de vida e de trabalho, defender o SNS e a Segurança Social e combater os retrocessos nos direitos laborais.
A força dos trabalhadores está acção colectiva!
Vamos fazer do dia 17 de Outubro uma grande jornada de luta e afirmação dos nossos direitos!
📍 PORTO — 10h30 | Praça da Batalha
📍 COIMBRA — 10h30 | Rotunda Portugal dos Pequenitos
📍 LISBOA — 14h30 | Cais do Sodré
Participa! Mobiliza!
Juntos somos mais fortes!
08 outubro 2026
O Trabalho Digno, um Imperativo Democrático (Ação Socialista n.º 2020 de 08.10.2026)
Por Juan Ascenção
A sete de outubro assinalou-se a Jornada Mundial pelo Trabalho Digno, uma iniciativa que desde 2008, mobiliza o movimento sindical e as forças progressistas a nível global. Longe de ser apenas uma efeméride de calendário ou uma rotina discursiva, esta data assume atualmente uma relevância sem precedentes. Vivemos tempos de profunda reconfiguração geopolítica e incerteza económica, marcados pela erosão contínua do poder de compra, pela pressão inflacionista sobre os bens essenciais e por uma ofensiva ideológica que insiste em tratar o trabalho não como um direito fundamental, mas como uma mera variável de ajustamento económico e orçamental.
A mensagem
que se reitera a nível internacional é clara: não haverá sustentabilidade
democrática nem progresso económico se não colocarmos a dignidade humana e o valor
do trabalho no centro das decisões políticas.
A
Organização Internacional do Trabalho (OIT) define o trabalho digno a partir de
quatro pilares essenciais: a garantia dos direitos fundamentais no trabalho, a
criação de emprego de qualidade, a extensão e robustez da proteção social e a
centralidade da negociação coletiva através do diálogo social permanente. Na
matriz do socialismo democrático, estes pilares não são aspirações abstratas;
são o alicerce da coesão e da justiça distributiva. Quando a direita e as
correntes liberais encaram a desregulamentação e a flexibilidade do mercado laboral
desenfreada como motores de competitividade, esquecem que as economias assentes
em baixos salários e na desvalorização do trabalho condenam os países à
mediocridade produtiva e à instabilidade social.
Essa fatura
tem sido cobrada com especial incidência às gerações mais jovens. Os dados
internacionais revelam dezenas de milhões de jovens privados do acesso ao
emprego formal, empurrados para a informalidade ou enredados na armadilha da
precariedade perpétua. O fenómeno dos jovens que não estudam nem trabalham não
representa uma falha individual de resiliência ou de mérito; é a denúncia
explícita de um modelo económico que abdica do seu ativo mais qualificado e
transformador, os jovens a sua formação e as suas qualificações.
Na realidade
portuguesa, apesar dos avanços estruturais alcançados ao longo dos últimos anos
no quadro da Agenda do Trabalho Digno e na valorização do salário
mínimo, persistem bloqueios estruturais que urge erradicar. Continuamos a
testemunhar o abuso de falsos estágios, a proliferação encapotada de falsos
recibos verdes em relações de clara dependência hierárquica e ao abuso
sistemático da contratação a prazo em postos de trabalho permanentes. A este
panorama somam-se as novas formas de dependência digital: a economia de
plataformas e o trabalho gerido por algoritmos, onde a desresponsabilização
patronal surge disfarçada de falso empreendedorismo.
As
consequências deste modelo são devastadoras. Quando uma geração com níveis
inéditos de qualificação académica é confrontada com a estagnação salarial e a
incerteza contratual num contexto de crescente dificuldade no setor imobiliário,
o resultado é o desalento, a emigração forçada do melhor capital humano e o
agravamento do défice demográfico. Um jovem que não sabe se terá trabalho a
curto e a médio prazo não consegue alugar casa, não consegue aceder ao crédito,
não consegue construir família e não projeta a sua vida. A precariedade laboral
é a base de muitas inseguranças contemporâneas.
Perante esta
encruzilhada, a resposta da esquerda democrática não pode ser a tibieza nem a
retórica de circunstância. Não chegam paliativos que meramente
subsidiam a precariedade com fundos públicos. Exige-se uma agenda reformista
robusta e resiliente focada em três prioridades:
Em primeiro
lugar, o fortalecimento efetivo da negociação e contratação
coletiva, dinamizando os acordos setoriais e impedindo a caducidade unilateral dos
contratos que desprotejam os trabalhadores. Em segundo lugar, o reforço
da fiscalização através da Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT),
dotando-a de meios humanos e tecnológicos para fiscalizar eficazmente a fraude e
todas as formas de exploração laboral. Em terceiro lugar, um modelo de
incentivos públicos à economia que condicione rigorosamente os apoios estatais
à estabilidade efetiva dos contratos e à criação de emprego com a promoção de carreiras
dignas e bem remuneradas.
O trabalho
digno não é um luxo, nem um custo acessório, nem uma
concessão condescendente do mercado. É o pilar estrutural sobre o qual se
constrói a soberania cívica, o Estado Social e a esperança num futuro comum
melhor. Defender o trabalho com direitos, em condições de liberdade,
equidade e dignidade é, em última instância, defender a própria democracia.
Acção Socialista:
https://www.accaosocialista.pt/?edicao=2020#/2020/o-trabalho-digno-um-imperativo-democratico
24 setembro 2026
11 de Setembro (Ação Socialista n.º 2011 de 24.09.2026)
Por Carlos Trindade
1- Pelo meio dia do dia 11 de Setembro de 1973, no Chile, um Presidente democraticamente eleito, Salvador Allende, foi derrubado por um golpe de Estado militar chefiado pelo comandante do Exército, general Augusto Pinochet.
Depois
deste golpe de Estado, foi implementado uma ditadura fascista, que fez
retroceder todos os progressos económicos e sociais do Governo Allende,
estabeleceu um regime fortemente repressivo durante largos anos, que levou à
prisão e provocou a morte de largos milhares de militantes e cidadãos
democratas e progressistas.
Este ano, comemorou-se o 53º. Aniversário deste terrível acontecimento.
Salvador Allende presidia desde 4 de Novembro de 1970 a um governo de Unidade Popular eleito constitucionalmente composto pelo Partido Socialista, o Partido Comunista, o Partido Radical, o Partido Social Democrata, o Partido de Acção Popular Unitária / MAPU e a Acção Popular Independente.
O
Chile, como a generalidade dos países da América Latina, era um País com
elevados índices de desigualdade e uma injusta repartição da riqueza, de que
resultava profundas carências sociais para a maioria absoluta da população. Consequentemente,
a riqueza concentrava-se numa minoria oligárquica, que governava o país.
O governo de Allende tinha um programa político para procurar solucionar esta situação, subordinado à consigna “Via Chilena para o Socialismo”, que significava, por outras palavras, a “via pacifica para o socialismo”.
Esta
via seria concretizada através de uma estratégia governativa concretizada pelos
três seguintes vetores de orientação política:
1-
A transição para o socialismo seria realizada de forma gradual e pacifica
2-
A recusa da noção de ditadura do proletariado como fase transitória de realizar
esta transição
3- A afirmação do carácter nacional das forças armadas chilenas e a sua integração em acções sociais e no desenvolvimento económico
O programa de governo assumia variadas políticas para concretizar as esperanças da maioria da população. Entre muitas outras, referimos: na economia, previa que a economia chilena se deveria dividir em três áreas, a Área de Propriedade Social (APS), a Área Mista e a Área Privada.
A APS, constituída por grande empresas (principalmente da banca, da industrial e da distribuição) e empresas estatais, seria a predominante na actividade económica e teria o papel principal pois seria com a sua actividade que o Chile ganharia independência económica, satisfaria as necessidades da maioria da população, criaria emprego e controlaria a inflação.
A Área Mista, seria constituída por empresas nacionais ou de capital estrangeiro com participação estatal e a Área Privada constituída por pequenas e médias empresas.
Na Agricultura, seria implementada uma Reforma Agrária, que nacionalizaria todas as propriedades agrícolas com mais de 80 hectares.
No Trabalho, privado ou público, seria implantado um regime de Salário Mínimo que eliminaria as discriminações de género e de idade.
Na Habitação, seria promovida a construção de habitações de forma planificada e industrializada, apoiada a auto-construção ou a aquisição de habitação própria, neste com a limitação que o seu pagamento não poderia ser superior a 10% do rendimento mensal do agregado familiar.
É no quadro da execução do programa de governo que a 1 de Julho de 1971 o Congresso Nacional vota por unanimidade a nacionalização do cobre, uma das principais matérias-primas de exportação do Chile.
Durante o primeiro ano de governo de Unidade Popular alcançou-se uma redistribuição considerável do rendimento, reduziu-se o desemprego e aumentou a produção. Especificamente, entre Julho/1970 – Julho/1971, a produção aumentou 14%, os salários aumentaram 55%, a inflação desceu de 35% para 20% e o PIB aumentou 8.3%. Contudo, devido às acções da oposição e ás acções conspirativas internas e externas, no segundo ano, a inflação aumentou, as receitas do cobre nacionalizado diminuíram porque os preços internacionais deste minério se reduziram, a produção em geral baixou e a economia deixou de crescer, o que provocou um ambiente inflacionário e um deficit público crescente.
As classes possidentes e a oposição reagiram às medidas do governo de Allende e desencadearam um combate em todas as frentes. No Congresso Nacional, os dois principais partidos, o da Democracia Cristã e o Nacional, enfrentaram o Governo e as suas propostas legislativas e na Sociedade as classes possidentes mobilizaram-se. Foram notícias internacionais o caso de empresários que efectuaram acções de Lockouts das suas empresas, especialmente as de transportes de mercadorias e, nos bairros das classes altas, realizaram-se manifestações de rua ou grandes movimentos de batimentos de panelas para demonstrar que existia uma crise pois não havia meios de subsistência.
Por sua vez, a nacionalização do cobre tinha enfurecido os EUA, presididos por Richard Nixon, assessorado pelo seu Secretário de Estado Henry Kissinger, que entraram no combate ao Governo de Allende através da recusa de apoios económicos e de um embargo ao cobre chileno.
Foi este ambiente geral de contestação interna e internacional às medidas do Governo de Unidade Popular que criou o caldo de cultura que deu apoio social ao 11 de Setembro de 1973. Naturalmente ninguém se surpreendeu que o golpe de Estado tivesse tido o apoio da CIA.
2- O golpe de Estado no Chile surpreendeu o Mundo progressista e democrata e chocou o movimento socialista, trabalhista e social-democrata. Que se tinha passado? Que lições tirar deste acontecimento dramático? Neste golpe de Estado fascista, o Mundo mudou.
O projecto de transformação democrática, a “via pacifica para o socialismo”, que tinha sido um investimento político fortíssimo, tinha sido destruído pela força brutal do golpe fascista! Depois da experiência chilena, como realizar a transformação da Sociedade através do reformismo e não da Revolução, era a questão?
A esquerda comunista e a extrema-esquerda interpretaram as lições do Chile como a demonstração que a solução transformadora só é possível como sempre tinham afirmado: através da ruptura revolucionária, necessariamente violenta e da subsequente implantação da ditadura do proletariado.
3- Nos processos políticos subsequentes certamente os responsáveis partidários socialistas tiveram em devida atenção o exemplo do Chile nas suas decisões estratégicas.
Em Portugal, após a Revolução do Cravos, em especial aquando do PREC, Mário Soares e outros dirigentes do PS, com destaque de Francisco Salgado Zenha, opuseram-se decididamente ao radicalismo de esquerda para manter a via democrática da Revolução. É possível que também tivessem tido presente os acontecimentos chilenos e a necessidade de retirar argumentos à extrema-direita do MDLP e do ELP que, argumentando com os excessos revolucionários, pretendiam derrubar a própria Democracia e implementar um regime autoritário senão mesmo restaurar o fascismo!
Não sabemos se tal pensamento ocorreu a Mário Soares. Sabemos, sim, que veio a público que o então Secretário de Estado americano Henry Kissinger considerou o processo português aquando do PREC, que “Portugal seria a vacina da Europa”. Ou seja, indiciou que estaria a arquitectar outra acção terrorista de Estado para dinamitar o processo transformador em Portugal.
4-
Em 11 de Setembro de 2001, uma organização fundamentalista islâmica designada
Al-Qaeda, realizou um atentado contra as Torres Gémeas em Nova Iorque e outro
contra o Pentágono.
Nestes atentados, 2.977 pessoas foram mortas. A partir deste atentado terrorista, o Mundo mudou novamente.
5-
Curvamo-nos por todos aqueles que perderam a vida devido a acções terroristas,
sejam realizadas pelo Estado sejam por organizações políticas – honra à sua
memória!
Acção Socialista:
https://www.accaosocialista.pt/?edicao=2011#/2011/11-de-setembro
10 setembro 2026
Inteligência Artificial: progresso tecnológico tem de significar progresso social (Ação Socialista n.º 2001 de 10.09.2026)
Por Fernando Gomes
A Inteligência
Artificial (IA) está a transformar rapidamente a economia, as
empresas e o mundo do trabalho. Não estamos perante uma mudança que possamos
travar. Dizem-nos que a inovação tecnológica pode aumentar a produtividade,
melhorar processos, eliminar tarefas repetitivas ou perigosas e criar novas
actividades e profissões. A questão essencial é outra: como garantir que
este progresso tecnológico se transforma também em progresso social?
A resposta não pode
ficar exclusivamente nas mãos das empresas ou do mercado. A introdução da
Inteligência Artificial nos locais de trabalho tem consequências, entre outros,
sobre o emprego, as qualificações, a organização do trabalho, os salários, os
ritmos de trabalho e os próprios direitos dos trabalhadores. Por isso, exige
regulação, negociação colectiva e diálogo social.
A Espanha acaba de dar
um sinal importante. O Governo espanhol anunciou a intenção de promover um Pacto
Nacional sobre Inteligência Artificial, envolvendo as confederações
sindicais e patronais, procurando integrar a IA no tecido produtivo, reduzir os
seus riscos e assegurar uma distribuição justa dos benefícios resultantes do
aumento da produtividade.
Em Portugal, o Governo
da AD (PSD/CDS), demasiado ocupado a gerir as suas fragilidades éticas e
políticas e sem revelar uma visão estratégica para o país, poderia olhar para
este exemplo e propor um caminho semelhante.
A Comissão Permanente
de Concertação Social (CPCS), de composição tripartida, que reúne Governo,
confederações patronais e confederações sindicais, é o espaço adequado para
negociar um Pacto para a Inteligência Artificial e o Trabalho, capaz de
antecipar as transformações que já estão a chegar às empresas e aos serviços
públicos.
Um pacto desta natureza
deveria partir de um princípio fundamental: nenhum trabalhador pode ser
abandonado pelo progresso tecnológico.
Isso significa proteger
o emprego sempre que seja possível, mas significa também antecipar as mudanças.
Quando determinadas profissões ou tarefas forem transformadas ou substituídas,
terão de existir mecanismos efectivos de formação e requalificação
profissional que permitam aos trabalhadores adquirir novas competências e
transitar para novas funções ou profissões. A formação ao longo da vida não
pode continuar a ser apenas uma declaração de intenções. Tem de constituir um
verdadeiro direito dos trabalhadores e uma responsabilidade partilhada entre
Estado e empresas.
Esta preocupação é
particularmente importante para os jovens. São eles que entrarão num mercado de
trabalho profundamente marcado pela Inteligência Artificial, mas isso não
significa que estejam automaticamente protegidos dos seus efeitos. Pelo
contrário, estudos europeus alertam para uma distribuição desigual dos
benefícios da transformação tecnológica e identificam precisamente os jovens e
os trabalhadores menos qualificados entre os grupos mais expostos aos seus
impactos negativos.
Há ainda outra dimensão
que não pode ser ignorada: quem controla os algoritmos que começam a
controlar partes importantes da nossa vida profissional?
A Inteligência
Artificial já pode participar na selecção de candidatos, distribuição de
tarefas, avaliação do desempenho, definição de horários, progressão
profissional ou mesmo em decisões relacionadas com a manutenção do emprego.
Nenhuma destas decisões pode transformar-se numa caixa negra incompreensível
para o trabalhador e para os seus representantes.
Os algoritmos devem ser
transparentes, auditáveis e sujeitos a supervisão humana.
E têm de ser concebidos e utilizados de forma a impedir discriminações,
directas ou indirectas, em razão do sexo, idade, origem nacional, racial ou
étnica, deficiência, orientação sexual, religião ou qualquer outra condição. A
tecnologia não pode reproduzir, esconder ou ampliar preconceitos existentes na
sociedade.
Também aqui o movimento
sindical terá um papel insubstituível. Os trabalhadores e os seus
representantes devem ter direito à informação, consulta e negociação sobre a
introdução de sistemas de Inteligência Artificial que afectem o emprego e as
condições de trabalho. A negociação colectiva terá de entrar definitivamente
na era dos algoritmos.
Mas existe uma condição
para que o movimento sindical consiga responder com força a uma transformação
desta dimensão: uma ampla convergência sindical.
A Inteligência
Artificial não distingue trabalhadores representados pela CGTP-IN, UGT, ou de Sindicatos
Independentes, nem trabalhadores não sindicalizados. Os desafios são comuns.
Perante uma transformação estrutural do trabalho, o movimento sindical
português precisa de encontrar espaços de convergência que lhe permitam
defender posições comuns sobre emprego, formação, direitos digitais, utilização
de algoritmos e distribuição da riqueza gerada.
Se a Inteligência
Artificial permitir produzir mais e melhor, os ganhos de produtividade daí
resultantes têm de chegar também a quem trabalha: através da valorização dos
salários, das carreiras, da melhoria das condições de trabalho, da formação
profissional e, também, da redução do tempo de trabalho.
O progresso tecnológico
só será verdadeiramente progresso se melhorar a vida das pessoas.
Um Pacto para a
Inteligência Artificial e o Trabalho, negociado em Concertação Social, poderia
ser um importante passo nesse sentido. Não para impedir a mudança, mas para a
governar democraticamente. Não para proteger o passado, mas para construir um
futuro no qual a tecnologia esteja ao serviço das pessoas e o aumento da
produtividade seja acompanhado por mais direitos, mais qualificações, melhores
salários e maior justiça social.
A Inteligência
Artificial vai mudar o trabalho. A questão política e social que temos pela
frente é garantir que essa mudança não deixa ninguém para trás.
28 agosto 2026
O Comité Económico e Social Europeu (CESE) defende uma Europa mais competitiva sem abdicar do progresso social
O Comité Económico e Social Europeu (CESE) aprovou uma Resolução com o seu contributo para o Programa de Trabalho da Comissão Europeia para 2027, tendo como relatores Marcin Nowacki, Carlos Manuel Trindade, do Grupo dos Trabalhadores, e Corina Andrea Murafa Benga. O documento foi aprovado por 174 votos a favor, cinco contra e seis abstenções.
A Resolução defende o reforço da competitividade e da capacidade de crescimento da União Europeia, mas afirma que as pessoas devem estar no centro da mudança, através do reforço do Modelo Social Europeu, do diálogo social e civil e de transições digital, energética e ecológica justas, assentes nos direitos dos trabalhadores, nas qualificações e na igualdade de oportunidades.
Entre as propostas com maior relevância para o mundo do trabalho encontram-se a promoção de empregos de qualidade, o reforço da negociação colectiva, a protecção dos trabalhadores perante a Inteligência Artificial e a gestão algorítmica, a mobilidade laboral justa, a saúde e segurança no trabalho e o investimento na formação e nas competências.
O CESE defende ainda que os fundos europeus e os contratos públicos contribuam para promover empregos de qualidade, prevendo a exclusão do financiamento das empresas que não cumpram as regras em vigor.
A participação de Carlos Trindade, antigo Secretário-Geral da Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN, como um dos relatores desta Resolução assume particular significado, contribuindo para levar a experiência e a perspectiva dos trabalhadores portugueses ao debate europeu.
A mensagem central é clara: uma Europa mais competitiva deve ser também uma Europa de progresso social, empregos de qualidade e direitos dos trabalhadores.
Consultar em:
https://drive.google.com/file/d/1jKCnrvvDTqD_I_yNHhmKoviHYJ_X-GkI/view?usp=sharing
30 julho 2026
Partido Socialista: Um novo olhar sobre o mundo do trabalho (Ação Socialista n.º 1991 de 30.07.2026)
Por Fernando Gomes
Como sempre, a economia
continua a estar no centro das atenções. Porém, o problema actual é que, nestes
tempos de neoliberalismo, se fala em economia sem se falar em trabalho. Não
existe uma economia forte sem se dignificar o trabalho e sem se valorizarem os
trabalhadores. Nem tão-pouco existe um projecto político credível sem uma
relação efectiva e afectiva com o mundo do trabalho.
Portugal enfrenta
desafios que marcarão as próximas décadas: a transição digital, em especial a
inteligência artificial, e as alterações climáticas. O impacto destes desafios
é multifactorial, abrangendo desde a economia, a necessidade de aumentar a
produtividade, reforçar a competitividade e investir na I&D e na inovação,
até à situação do Trabalho, designadamente a carência de formação e
qualificação, as remunerações, as condições de trabalho e, em particular, a
contratação colectiva e a segurança e saúde dos trabalhadores, sem jamais
esquecer a demografia, nomeadamente o envelhecimento demográfico, a imigração e
a criação de condições para fixar os jovens.
Todos estes desafios
têm um denominador comum, a montante ou a jusante deste processo transicional:
o Trabalho. É nos locais de trabalho que se mede o impacto das políticas
públicas, se cria riqueza, se distribui rendimento e se constrói a coesão
social.
Ao longo da sua
história, o Partido Socialista desempenhou um papel determinante na defesa e
consolidação da democracia, na construção do Estado Social, na actualização da
legislação laboral (mesmo com algumas soluções por nós contestadas) e na
valorização do diálogo social. Esse património constitui uma das suas maiores
referências altamente positivas e um dos seus mais importantes factores
distintivos.
Mas o país, inserido
numa Europa e num Mundo em mudança, alterou-se profundamente. A economia
tornou-se mais aberta e competitiva, surgiram novas formas de organização do
trabalho, aumentou a precariedade e a fragmentação das relações laborais. Ao
mesmo tempo, a generalidade dos trabalhadores continua a enfrentar salários
baixos, um custo de vida cada vez mais elevado, enormes dificuldades no acesso
à habitação, tempos de espera e sérias limitações no acesso aos cuidados de
saúde, problemas persistentes na educação pública, de que as dificuldades
verificadas na realização dos exames nacionais são o último exemplo, e
carreiras marcadas pela incerteza.
Estes problemas
justificam e exigem um novo olhar sobre o mundo do trabalho, tendo presente que
a garantia da autonomia e da independência do movimento sindical constitui um
dos princípios fundamentais da democracia e deve continuar a ser plenamente
respeitada.
O PS, como partido da
esquerda, deve reforçar e aprofundar a sua capacidade de compreender o país,
mantendo uma proximidade permanente à realidade laboral e social, aos
trabalhadores, às suas organizações representativas, ao processo de diálogo
social e a todas as novas dimensões inerentes às relações de Trabalho que
emergem com a transformação da economia.
Por outro lado, a
economia e a realidade empresarial, enquanto contraparte deste processo, devem
merecer do PS uma atenção semelhante. O progresso tecnológico e a globalização
abrem novas oportunidades para a economia. Contudo, devem sustentar, simultaneamente,
um progresso social de igual dimensão. Esta partilha é, e tem de ser, o
fundamento democrático do próprio progresso.
Este é o quadro,
exigente mas necessário, que urge concretizar; este é o campo privilegiado de
intervenção do PS. Se o PS não o realizar, nenhum outro partido o fará, com
sérios prejuízos para os trabalhadores e para Portugal.
O PS tem condições para
o fazer porque mantém uma ligação ao movimento sindical português através da
sua rede de militantes sindicais, disseminados por toda a "malha
sindical" existente, tendo, porém, sempre presente que a garantia da
autonomia e da independência do movimento sindical constitui um dos princípios
fundamentais da democracia e deverá continuar a ser plenamente respeitada.
O reforço desta ligação
poderá constituir uma das prioridades estratégicas do Partido Socialista. É no
contacto directo com quem trabalha e com os seus representantes sindicais que
melhor se compreendem os desafios da negociação colectiva, da valorização dos
salários, da formação ao longo da vida, da saúde e segurança no trabalho, da
igualdade entre mulheres e homens, da conciliação entre a vida profissional e
familiar, da igualdade entre trabalhadores nacionais e imigrantes e das novas
formas de prestação de trabalho.
A recente mobilização
em defesa dos direitos laborais e no combate ao Pacote Laboral, com o Partido
Socialista ao lado dos trabalhadores e das suas organizações representativas,
demonstrou que continua a existir uma enorme capacidade de participação cívica
quando estão em causa questões que afectam directamente a vida das pessoas.
Demonstrou, igualmente, que é possível construir amplas convergências
sindicais, sociais e políticas em torno da valorização do trabalho e da justiça
social.
Num momento em que
muitas democracias enfrentam o crescimento do populismo e da extrema-direita,
reforçar a proximidade ao mundo do trabalho é também uma forma de defender e
fortalecer a própria democracia. Quando os cidadãos sentem que as suas
preocupações são escutadas e encontram expressão nas políticas públicas,
aumenta a confiança nas instituições democráticas e reduz-se o espaço para quem
procura explorar o descontentamento através da divisão e da demagogia.
Ao longo da sua
história, o Partido Socialista soube interpretar os grandes desafios do seu
tempo. As transformações que hoje atravessam o trabalho convidam a um novo
ciclo de reflexão e de proximidade aos trabalhadores e à Sociedade em geral.
Porque, se o trabalho
continua a ser o principal espaço onde se produz riqueza, se afirmam direitos e
se constroem projectos de vida, continuará também a ser um dos lugares
decisivos para renovar a confiança dos cidadãos na democracia e para afirmar um
projecto de progresso, justiça social e desenvolvimento para Portugal.
Este é o espaço natural
do Partido Socialista.
Acção Socialista:
22 julho 2026
Carlos Trindade defende política europeia de migração assente na dignidade humana
Carlos Trindade, Presidente do Grupo Permanente para a Imigração e Integração do Comité Económico e Social Europeu (CESE), defendeu que a aplicação do novo Pacto Europeu sobre Migração e Asilo constitui um teste à capacidade da União Europeia para construir uma política migratória eficaz, mas também humana, justa e respeitadora dos direitos fundamentais.
Numa declaração divulgada a 6 de Julho, Carlos Trindade alerta para as preocupações existentes relativamente à protecção dos direitos das pessoas que chegam às fronteiras externas da UE, ao conceito de «países terceiros seguros» e à eficácia do mecanismo de solidariedade entre Estados-Membros.
Para Carlos Trindade, o ponto de partida deve ser sempre a dignidade humana: migrantes, refugiados e requerentes de asilo não são números ou instrumentos políticos, mas pessoas com direitos e com capacidade para contribuir para as sociedades de acolhimento.
Defendendo vias seguras e legais e políticas de integração e inclusão, Carlos Trindade rejeita uma lógica de «Fortaleza Europa» e sublinha que a aplicação do Pacto deve ser orientada pela responsabilidade, solidariedade e respeito pelos direitos fundamentais.
Consultar em:
https://www.eesc.europa.eu/en/news-media/news/implementing-pact-asylum-and-migration-test-eus-values
02 julho 2026
Em ano de Mundial, é preciso olhar para 2030: O futebol não pode ignorar o Direito Internacional (Ação Socialista n.º 1971 de 02.07.2026)
A organização do
Campeonato do Mundo de Futebol de 2030 por Portugal, Espanha e Marrocos deve
ser motivo de exigência democrática, e não de silêncio cúmplice. Um evento com
esta dimensão projecta países, mobiliza recursos públicos, envolve empresas,
trabalhadores e milhões de adeptos. Por isso, não pode ser separado do respeito
pelos Direitos Humanos, pelo Direito Internacional e pelas resoluções das
Nações Unidas.
A candidatura conjunta
coloca uma questão incontornável: o Sahara Ocidental continua a ser um território
não autónomo, ocupado por Marrocos desde 1975, como aconteceu em Timor, nesse
mesmo ano ocupado pela Indonésia. O povo saharaui tem direito à
autodeterminação, tal como reconhecem as Nações Unidas. A ocupação marroquina
não pode ser normalizada através do desporto, nem a realização do Mundial pode
servir para legitimar mapas, investimentos ou narrativas que apaguem o povo
saharaui e o seu direito inalienável de decidir livremente o seu futuro.
A solidariedade
internacional entre trabalhadores e povos não é uma palavra vazia. É um
princípio. O futebol deve aproximar povos, não branquear injustiças. Portugal,
país com uma história marcada pelo 25 de Abril e pela defesa da liberdade, tem
responsabilidades acrescidas: não devia pactuar com um processo que ignore a
legalidade internacional, nem aceitar que interesses económicos e mediáticos se
sobreponham aos direitos de um povo.
Defender um Mundial
respeitador dos Direitos Humanos significa exigir transparência, respeito pelos
trabalhadores envolvidos nas obras e serviços, garantias sociais, liberdade
sindical e compromisso claro com as resoluções da ONU sobre o Sahara Ocidental.
Significa também recusar que qualquer infraestrutura, promoção ou representação
territorial associada ao Mundial seja usada para consolidar a ocupação.
O desporto deve estar ao serviço da paz, da cooperação e da fraternidade entre os povos. Mas não há verdadeira paz sem justiça. E não há justiça quando se silencia o direito à autodeterminação do povo saharaui.
Acção Socialista:
29 junho 2026
FALECEU ARMANDO LACERDA
HONRA À SUA MEMÓRIA!
Armando
António da Silva Sousa Bastos de Lacerda, partiu aos 96 anos e deixa a todos
aqueles que, com ele, interagiram, a memória de uma vida exemplar como Homem,
cidadão, socialista e sindicalista.
Como
Homem foi pai de família acarinhado pela esposa, descendentes e restante
família; como Cidadão, desde novo sempre se empenhou na luta anti-fascista,
tendo apoiado, inclusive, a candidatura do General Humberto Delgado em 1958;
como Socialista, filiou-se no PS pouco depois da Revolução do 25 de Abril e,
como Sindicalista Socialista da CGTP-IN, foi dirigente durante muito anos do
Sindicato dos Trabalhadores da Administração Publica do Sul, tendo sido
coordenador da sua Delegação Distrital de Évora e membro do Conselho Nacional
da CGTP-IN entre 1993 e 2004.
Na
Corrente Sindical Socialista (CSS) da CGTP-IN, participou activamente em todas
as iniciativas e acções que foram realizadas, tendo sido membro do seu Conselho
Nacional de Coordenação e assumido a relevante função de Presidente da Mesa do
Congresso da Corrente, o que expressa devidamente a sua elevação,
disponibilidade, participação e responsabilidade face ao funcionamento
colectiva da Corrente.
António
Lacerda, como entre os amigos e camaradas era familiarmente referenciado,
nasceu em 1930 e deixou-nos a 28 de Junho de 2026.
A CSS da CGTP-IN, à sua família, endereça os seus mais sentidos pêsames e, aos seus Amigos e Camaradas, partilha a dor comum e afirma que a sua vida será sempre referida como um exemplo maior de um sindicalista socialista da CGTP-IN:
HONRA À SUA MEMÓRIA!
18 junho 2026
Pela derrota do Pacote Laboral: Em defesa dos trabalhadores, construir convergências sindicais e sociais (Ação Socialista n.º 1961 de 18.06.2026)
A Greve Geral
constituiu um poderoso momento de luta, resistência e afirmação colectiva da
Classe Trabalhadora contra um projecto profundamente reaccionário, que procura
agravar a exploração, enfraquecer os direitos laborais e atacar conquistas
alcançadas com a Revolução de Abril.
Nos locais de trabalho,
nas empresas e serviços, no sector privado, na Administração Pública e no
Sector Empresarial do Estado, milhares de trabalhadores demonstraram que
rejeitam mais precariedade, mais desregulação dos horários, mais baixos
salários, mais facilitação dos despedimentos e mais fragilização da contratação
colectiva.
A crescente rejeição do
Pacote Laboral expressou-se nas grandes manifestações realizadas em todo o
país, nas mais de 190 mil assinaturas recolhidas no abaixo-assinado da CGTP-IN,
nas Greves Gerais de 11 de Dezembro de 2025 e de 3 de Junho de 2026 e em
inúmeras acções reivindicativas e de protesto desenvolvidas nos locais de
trabalho.
A CSS da CGTP-IN saúda
particularmente os milhares de jovens trabalhadores que participaram nesta
jornada de luta, muitos deles enfrentando vínculos precários, chantagens
patronais e pressões ilegítimas. A sua participação demonstra que existe
disponibilidade para lutar e confiança na força da acção colectiva organizada.
Saudamos igualmente
todos os dirigentes, delegados e activistas sindicais, bem como todas as
estruturas representativas e organizações sindicais que convergiram nesta luta
comum contra o Pacote Laboral. A experiência vivida nos locais de trabalho
demonstrou, uma vez mais, que a unidade na acção, a solidariedade e a
convergência sindical constituem factores decisivos para fortalecer a
mobilização dos trabalhadores e aumentar a capacidade de resistência e combate.
A dimensão do ataque
contido neste Pacote Laboral exige que sejam convocadas todas as forças
disponíveis para alcançar o objectivo central do momento presente: derrotar
o Pacote Laboral.
Este é o objectivo
central dos trabalhadores e trabalhadoras. Este é o objectivo central de todas
as forças sindicais e sociais democráticas e progressistas. Derrotar este
Pacote Laboral é travar uma ofensiva de retrocesso social e laboral promovida
pela direita revanchista e pela extrema-direita fascizante, que procuram
enfraquecer direitos fundamentais e atacar conquistas históricas de Abril.
A CSS da CGTP-IN
considera que este objectivo só poderá ser plenamente alcançado através da
construção de uma verdadeira convergência sindical e social, envolvendo a
CGTP-IN, a UGT, os Sindicatos Independentes, as estruturas representativas dos
trabalhadores, os movimentos sociais e as organizações da Sociedade Civil
disponíveis para defender os direitos laborais, a dignidade do trabalho e os
valores democráticos consagrados na Constituição da República Portuguesa.
Perante um ataque desta
dimensão, todos somos poucos para o combater e vencer. Não há espaço para
sectarismos, autossuficiências estéreis, divisões artificiais ou lógicas de
isolamento. O que os trabalhadores exigem é unidade na luta, convergência na
acção e capacidade para construir respostas comuns em defesa dos salários, da
contratação colectiva, da estabilidade no emprego, da liberdade sindical, do
direito à greve e dos direitos sociais e laborais conquistados.
A CSS da CGTP-IN
sublinha igualmente a coragem demonstrada pelos trabalhadores perante as
inúmeras tentativas de intimidação e condicionamento do exercício do direito à
greve. Desde a imposição abusiva de serviços mínimos transformados em serviços
máximos, às alterações de horários, substituições ilegais de grevistas e
múltiplas formas de pressão patronal, foram muitos os mecanismos utilizados
para tentar limitar o impacto da luta. Ainda assim, os trabalhadores
responderam com firmeza e determinação.
O êxito da Greve Geral
reafirmou que os trabalhadores não se resignam e estão preparados para
continuar a luta contra o Pacote Laboral e contra uma política ao serviço dos
grupos económicos e financeiros.
Os trabalhadores sabem
que este Pacote Laboral pretende perpetuar baixos salários, agravar a
precariedade, facilitar despedimentos, prolongar horários, enfraquecer a
contratação colectiva, atacar direitos de maternidade e paternidade, limitar a
liberdade sindical e fragilizar o direito à greve. Trata-se de um profundo
retrocesso social, laboral e democrático que deve ser travado — e pode ser
derrotado.
A CSS da CGTP-IN
considera igualmente grave a tentativa do Governo de acelerar o processo
legislativo, procurando antecipar a votação na generalidade antes mesmo da
conclusão do período de consulta pública, numa demonstração de arrogância
política e desrespeito pelos trabalhadores e pelas suas organizações
representativas.
A luta continua e exige
persistência, organização e alargamento da convergência sindical e social. É
necessário aprofundar o trabalho comum entre sindicatos, estruturas
representativas dos trabalhadores, movimentos sociais e organizações
democráticas da Sociedade Civil, reforçando a mobilização nos locais de
trabalho e promovendo iniciativas convergentes de combate ao Pacote Laboral.
Não aceitamos
retrocessos. Defendemos um outro caminho para o país, assente na valorização do
trabalho e dos trabalhadores, no reforço dos serviços públicos e das funções
sociais do Estado, na defesa da contratação colectiva, no aumento dos salários
e das pensões, no combate à precariedade e no respeito pelos valores e direitos
consagrados na Constituição da República Portuguesa e nas conquistas de Abril.
Neste quadro, a CSS da
CGTP-IN considera necessário:
- Intensificar a mobilização e a luta
pela derrota do Pacote Laboral, reforçando a acção reivindicativa nos
locais de trabalho, empresas e serviços;
- Desenvolver acções convergentes de
trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais e organizações democráticas
em todo o país;
- Continuar os contactos e esforços
de convergência sindical com a UGT e os Sindicatos Independentes,
procurando construir iniciativas comuns de combate ao Pacote Laboral;
- Reforçar os contactos e o trabalho
conjunto com movimentos sociais e organizações da Sociedade Civil;
A Corrente Sindical
Socialista da CGTP-IN reafirma, assim, a necessidade de participação na
concentração de amanhã, 18 de Junho, às 13h30, em frente à Assembleia da
República.
Vamos derrotar o pacote
laboral!
Acção Socialista:
12 junho 2026
Em defesa dos trabalhadores, construir convergências sindicais e sociais
Proposta de Resolução Alternativa:
A proposta de resolução que apresentámos hoje ao Conselho Nacional da CGTP-IN, que está a decorrer, defende o aprofundamento da luta contra o chamado “Pacote Laboral” do Governo PSD/CDS, acusando o executivo de promover um “profundo retrocesso civilizacional e democrático” com o apoio do CHEGA e da Iniciativa Liberal.
Conselho
Nacional da CGTP-IN
12 de Junho de 2026
A luta
continua
Pela derrota
do Pacote Laboral
Em defesa dos trabalhadores, construir convergências sindicais e sociais
A Greve Geral realizada no passado dia 3 de Junho
constituiu um poderoso momento de luta, resistência e afirmação colectiva dos
trabalhadores contra o
retrocesso social e laboral que o Governo do PSD/CDS, com o apoio do CH e da
IL, procura impor ao país através do seu Pacote Laboral.
Nas empresas, serviços e locais de trabalho, no
sector privado, na Administração Pública Central, Regional e Local e no Sector
Empresarial do Estado, milhares de trabalhadores demonstraram, com coragem e
determinação, que não aceitam mais precariedade, mais exploração, mais
desigualdades nem o enfraquecimento dos direitos conquistados com Abril.
A crescente rejeição do Pacote Laboral foi expressa
nas grandes manifestações realizadas em todo o país, nas mais de 190 mil
assinaturas recolhidas no abaixo-assinado, nas Greves Gerais de 11 de Dezembro
de 2025 e de 3 de Junho de 2026, e em inúmeras acções de luta desenvolvidas nos
locais de trabalho. Os trabalhadores exigem, agora, a derrota inequívoca
deste pacote laboral.
O Conselho Nacional da CGTP-IN saúda todos os
trabalhadores que aderiram à Greve Geral e, de forma particular, os milhares de jovens trabalhadores que,
enfrentando vínculos precários, chantagens e pressões patronais, participaram
pela primeira vez numa grande jornada de luta colectiva, demonstrando confiança
na força da acção organizada dos trabalhadores.
Saudamos igualmente os dirigentes, delegados e
activistas sindicais da CGTP-IN, bem como todos os trabalhadores, estruturas
representativas e organizações sindicais que convergiram nesta luta comum
contra o Pacote Laboral. A experiência vivida nos locais de trabalho
demonstrou, uma vez mais, que a unidade na acção, a solidariedade e a
convergência sindical são factores decisivos para fortalecer a mobilização dos
trabalhadores e ampliar a capacidade de resistência e combate.
O Conselho Nacional considera que a dimensão dos
ataques contidos no Pacote Laboral exige a convocação de todos os recursos para
alcançarmos o objectivo central que temos neste momento - derrotar o Pacote
Laboral!
Este é o objectivo central que temos, este é o
objectivo central da Classe Trabalhadora, este é o objectivo central de todas
as forças sindicais e sociais com princípios democráticos e progressistas! Derrotar
o Pacote Laboral é essencial para travar a ofensiva que a Direita revanchista e
a Extrema-direita fascizante procuram desenvolver para se vingarem do 25 de
Abril e reverterem as suas grandes conquistas sociais, laborais e democráticas!
Este objectivo central dos trabalhadores e
trabalhadoras impõe uma estratégia composta por uma resposta ampla,
convergente e determinada para derrotar o Pacote Laboral. É possível
alcançar este objectivo, mas temos a consciência que este ataque é muito grande
e profundo.
Por esta razão, consideramos que todos, mas
mesmo todos, são necessários para que este objectivo central seja
alcançado.
É neste quadro que defendemos que só será possível
derrotar este Pacote Laboral com a construção de uma verdadeira convergência
sindical e social, envolvendo a CGTP-IN, a UGT, os Sindicatos Independentes
e todas as estruturas representativas dos trabalhadores disponíveis para
defender os direitos laborais e a dignidade do trabalho e os variados
movimentos sociais e as diversas organizações da Sociedade Civil.
Perante um ataque desta dimensão, todos somos
poucos para o combater e vencer - não há espaço para autossuficiências estéreis, sectarismos, divisões
artificiais ou lógicas de isolamento. O que os trabalhadores exigem é
unidade na luta, convergência na acção e capacidade de construir respostas
comuns que coloquem acima das diferenças aquilo que une o movimento
sindical: a defesa dos salários, da contratação colectiva, da estabilidade no
emprego, do direito à greve, da liberdade sindical e dos direitos consagrados
na Constituição da República Portuguesa e, inclusive, da própria Constituição
da República Portuguesa.
O Conselho Nacional sublinha igualmente e saúda
calorosamente a coragem demonstrada pelos trabalhadores perante as inúmeras
tentativas de intimidação e condicionamento do exercício do direito à greve.
Desde a imposição abusiva de serviços mínimos transformados em serviços
máximos, às alterações de horários, substituições ilegais de grevistas e
múltiplas formas de pressão patronal, tudo foi utilizado para tentar limitar o
impacto da luta. Ainda assim, os trabalhadores responderam com determinação e
firmeza.
O êxito da Greve Geral reafirmou que os
trabalhadores não se resignam e estão preparados para continuar a luta pela
derrota do Pacote Laboral e contra a política da direita que favorece os grupos
económicos e financeiros à custa da exploração de quem trabalha.
Os trabalhadores sabem que este Pacote Laboral
pretende perpetuar baixos salários, facilitar despedimentos, agravar a
precariedade, prolongar horários, enfraquecer a contratação colectiva, atacar
direitos de maternidade e paternidade, limitar a liberdade sindical e
fragilizar o direito à greve. Trata-se de um profundo retrocesso
civilizacional e democrático que deve ser travado – e pode ser derrotado!
O Conselho Nacional considera particularmente grave
a tentativa do Governo de acelerar o processo legislativo, procurando antecipar
a votação na generalidade antes mesmo da conclusão do período de consulta
pública, numa demonstração de arrogância política e de desrespeito pelos
trabalhadores e pelas organizações representativas.
O Conselho Nacional reafirma que a luta continua e
exige persistência, organização e alargamento da convergência sindical e
social. É necessário alargar e aprofundar o trabalho comum entre
trabalhadores, sindicatos e estruturas representativas, entre a CGTP-IN e
as suas estruturas e os movimentos sociais e as organizações da Sociedade
Civil, reforçando a mobilização nos locais de trabalho e promovendo iniciativas
sindicais e sociais convergentes de combate ao Pacote Laboral.
Não aceitamos retrocessos. Exigimos um outro caminho para o país, assente na valorização do trabalho e dos trabalhadores, no reforço dos serviços públicos e das funções do Estado Social, na defesa da contratação colectiva, na melhoria dos salários e das pensões, no combate à precariedade e no cumprimento dos valores e direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa e nas conquistas de Abril.
Assim, o Conselho Nacional decide:
- Realizar de imediato uma Concentração no
próximo dia 18 de Junho, às 13h30, em frente à Assembleia da República, com
uma ampla mobilização, no momento em que estará a ser discutido o Pacote
Laboral, reafirmando a sua rejeição e a exigência da sua derrota, expressa de
forma inequívoca nas Greves Gerais;
- Continuar a realizar contactos com a UGT para
analisar a actual situação e estabelecer um quadro de intervenção e acção
para derrotar o Pacote Laboral;
- Reestabelecer e reforçar os contactos
habituais com os movimentos sociais e as organizações da Sociedade Civil
para dinamizar intervenções e acções contra o Pacote Laboral nas regiões ou
áreas de trabalho;
- Desenvolver e intensificar a luta pela
derrota do Pacote Laboral, dando continuidade à forte mobilização expressa
na Greve Geral e reforçando a acção
reivindicativa nos locais de trabalho, empresas e serviços, pelo aumento dos
salários, pelos direitos, pela contratação e pela negociação colectiva, pelas
reivindicações constantes nos cadernos reivindicativos, criando condições para
avançar na valorização e na conquista de melhores condições de vida e de
trabalho;
- O desenvolvimento de acções de trabalhadores
nas empresas, locais de trabalho e nas ruas, nos vários sectores e em todo
o País, com tomada de posição para a rejeição e derrota do Pacote Laboral e
pela defesa dos direitos e reivindicações dos trabalhadores;
- Reafirmar,
como acção central e prioritária, a luta pelo aumento dos salários para todos os trabalhadores em, pelo menos, 15%,
num valor não inferior a 150€, nos locais de trabalho e nas empresas onde ainda
não houve aumentos salariais. E, nos locais de trabalho e empresas cujos
aumentos salariais verificados foram insuficientes e não responderam às
necessidades e reivindicações dos trabalhadores, avançar com a exigência de
aumentos intercalares para fazer face ao brutal aumento do custo de vida;
- Potenciar o trabalho de sindicalização e
reforço de organização, integrando no colectivo e na luta reivindicativa
organizada todos aqueles que se sindicalizaram durante a mobilização para a
Greve Geral e durante a própria Greve, particularmente os jovens trabalhadores;
- Afirmar a determinação de recorrer a todas
as formas de luta que a situação imponha, com vista à derrota do pacote
laboral, à defesa dos direitos dos trabalhadores e à melhoria das suas
condições de trabalho e de vida, apelando a todos os trabalhadores para que se
mantenham firmes neste combate, e a todas as estruturas sindicais e
organizações de trabalhadores para que mantenham a posição, o envolvimento e a
convergência na luta pela rejeição do Pacote Laboral.
O Conselho Nacional da CGTP-IN aponta, assim, o caminho de
continuação da luta, contra o retrocesso e a exploração, desde logo contra o
pacote laboral de assalto aos direitos, pela revogação das normas gravosas da
legislação laboral já em vigor, por mais salário, mais direitos e melhores serviços
públicos.
A luta continua – Rumo à derrota do Pacote Laboral!

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