30 abril 2026

Fernando Gomes apela à participação nas comemorações do 1.º de Maio da CGTP-IN em todo o país

Fernando Gomes, Secretário-geral da Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN, apelou à participação de todos os trabalhadores e trabalhadoras nas comemorações do 1.º de Maio promovidas pela CGTP-IN em todo o país, no continente, nos Açores e na Madeira.

O Secretário-geral da Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN alerta ainda para o pacote laboral que o Governo e o patronato procuram impor, considerando que representa um grave retrocesso nos direitos conquistados pelos trabalhadores e trabalhadoras.

O 1.º de Maio é um dia de luta, solidariedade e esperança. Um dia para afirmar os valores de Abril e defender uma vida melhor para quem trabalha.

Participa nas comemorações do 1.º de Maio da CGTP-IN

Convergência sindical: condição para uma grande Greve Geral (Acção Socialista n.º 1929 de 30.04.2026)

Por Fernando Gomes

A acção sindical que defendemos assenta em princípios claros: a unidade dos trabalhadores, o respeito pelo pluralismo e a construção de convergências sindicais como condição essencial para alcançar resultados concretos. A história do movimento sindical português demonstra que foi pela convergência entre diferentes correntes e organizações que se conquistaram os maiores avanços sociais e laborais. É essa herança que devemos honrar e projectar no presente e no futuro.

A própria intervenção da Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN tem sido inequívoca nesse sentido: a defesa da construção de convergências entre a CGTP-IN, a UGT e Sindicatos Independentes como orientação estratégica para reforçar a capacidade de luta dos trabalhadores.

Mas essa convergência, para ser consequente, tem de estar ao serviço de uma acção sindical eficaz. Hoje, essa acção exige uma resposta firme de combate ao pacote laboral e às políticas que continuam a degradar direitos, bloquear a contratação colectiva e limitar a acção sindical nas empresas. Como temos afirmado, não basta proclamar a luta: é necessário articulá-la com negociação séria, objectivos concretos e a construção de relações de força que permitam alcançar resultados.

É neste quadro que deve ser avaliada a decisão de avançar para uma greve geral. Uma greve geral só cumpre plenamente o seu papel quando é expressão de uma ampla mobilização sindical, social e política, quando é preparada com tempo, com envolvimento dos trabalhadores e, sobretudo, com convergência entre organizações sindicais.

A decisão tomada no Conselho Nacional da CGTP-IN, a 28 de Abril, ao avançar unilateralmente para a convocação de uma greve geral na primeira semana de Junho, sem articulação com a UGT e antes mesmo de concluído o processo de diálogo social em curso, não vai nesse sentido. Pelo contrário, fragiliza a possibilidade de alargar a mobilização e de construir uma resposta verdadeiramente abrangente dos trabalhadores contra uma legislação laboral que representa um enorme retrocesso social e uma capitulação do Governo, com o apoio do CHEGA e da Iniciativa Liberal, perante as confederações patronais.

Entendemos que teria sido mais adequado seguir outro caminho: promover o diálogo entre confederações sindicais e sindicatos independentes, aguardar pela reunião da Comissão Permanente de Concertação Social de 7 de Maio e trabalhar no sentido de uma convocatória convergente.

A força dos trabalhadores constrói-se através de uma acção sindical convergente. É esse o caminho que continuamos a defender: convergência, acção consequente e mobilização alargada para alcançar resultados concretos para a classe trabalhadora.

Apesar das divergências quanto ao processo seguido, nós, sindicalistas socialistas e independentes que desenvolvem a sua acção na CGTP-IN e nos seus sindicatos, tudo faremos para o sucesso da greve geral, porque o seu sucesso reforçará a classe trabalhadora na luta contra o pacote laboral. É com esse sentido de responsabilidade, de convergência na acção e de compromisso com os trabalhadores que nos empenharemos para que esta greve contribua para travar este retrocesso e afirmar os direitos de quem trabalha.
Fotografia CSS da CGTP-IN/Greve Geral 11.12.2025


Acção Socialista:

16 abril 2026

Convergência sindical: condição para defender os direitos dos trabalhadores (Acção Socialista n.º 1919 de 16.04.2026)

Por António Marçal

Vivemos um tempo em que, sob o pretexto da modernização e da competitividade, vão sendo apresentadas propostas que, em muitos casos, representam um recuo civilizacional. Medidas como o alargamento dos contratos a termo, a fragilização da reintegração em caso de despedimento ilícito ou a reintrodução de mecanismos como o banco de horas individual não são neutras. Elas alteram profundamente o equilíbrio das relações laborais, deslocando-o ainda mais em favor do empregador e enfraquecendo a posição do trabalhador.

Este tipo de propostas não surge isoladamente. Insere-se numa tendência mais ampla de desvalorização do trabalho, onde este volta a ser tratado como um custo a reduzir e não como um fator central de dignidade, coesão social e desenvolvimento económico. Ora, esta lógica não é nova - já foi tentada no passado e os seus resultados são conhecidos: precariedade, desigualdade e estagnação.

Perante isto, a resposta não pode ser fragmentada. Não pode ser dispersa. E, sobretudo, não pode ser dividida.

A unidade sindical não é um luxo nem uma opção estratégica entre outras - é uma condição de eficácia. Quando os trabalhadores estão divididos, quando as centrais sindicais seguem caminhos paralelos sem pontos de convergência, o resultado é previsível: perde-se força negocial, dilui-se a capacidade de pressão e abre-se espaço para que decisões estruturais sejam tomadas sem o necessário contraponto social.

Os próprios factos recentes mostram, no entanto, que essa unidade é possível. A rejeição de propostas consideradas inaceitáveis por diferentes sensibilidades sindicais demonstra que, quando está em causa o essencial, é possível convergir. Essa convergência não significa uniformização, nem nega o pluralismo - antes o reforça, porque assenta na capacidade de encontrar denominadores comuns em defesa dos interesses dos trabalhadores.

Mas a unidade sindical que hoje se exige tem de ir mais longe.

Durante demasiado tempo, persistiu uma clivagem - por vezes silenciosa, outras vezes explícita - entre trabalhadores do setor público e do setor privado. Como se os seus interesses fossem estruturalmente distintos. Como se as suas lutas não fossem, no fundo, a mesma luta.

Nada poderia estar mais longe da realidade.

A precarização no privado acaba, inevitavelmente, por pressionar o público. A desvalorização das carreiras públicas abre caminho à ideia de que o Estado deve funcionar segundo lógicas de mercado. O recurso crescente ao outsourcing, tanto na administração pública como em setores essenciais como a saúde ou a educação, é um exemplo claro dessa convergência negativa. E, como bem se sabe, isso tem consequências diretas na qualidade dos serviços prestados aos cidadãos.

Por isso, a convergência entre trabalhadores do público e do privado não é apenas desejável - é indispensável.

Essa convergência exige uma visão mais ampla do movimento sindical. Um sindicalismo que não se feche sobre si próprio, que não se limite à defesa corporativa de grupos específicos, mas que assuma uma dimensão transversal, capaz de mobilizar trabalhadores independentemente do vínculo, da função ou do setor.

E exige também coragem política.

Coragem para recusar soluções fáceis que, sob a aparência de flexibilidade, escondem formas de exploração mais sofisticadas. Coragem para afirmar que o crescimento económico não pode assentar na compressão de direitos. Coragem para dizer, com clareza, que há linhas vermelhas que não podem ser ultrapassadas - como, aliás, algumas estruturas sindicais já o fizeram ao identificar matérias estruturais como inegociáveis.

Mas há ainda um outro ponto que importa sublinhar: a unidade não se decreta. Constrói-se.

Constrói-se no diálogo entre centrais sindicais, no respeito pelo pluralismo, na capacidade de reconhecer diferenças sem transformar essas diferenças em obstáculos intransponíveis. Constrói-se também na proximidade aos trabalhadores, na escuta ativa das suas preocupações reais, e na capacidade de transformar essas preocupações em propostas concretas e mobilizadoras.

E constrói-se, sobretudo, na ação.

Porque, no fim do dia, a força do movimento sindical mede-se pela sua capacidade de influenciar decisões e de produzir resultados concretos. Direitos conquistados, salários valorizados, condições de trabalho dignas - é isso que está em causa.

Se falharmos na construção dessa unidade, o risco é claro: assistiremos, de forma gradual mas consistente, à erosão de direitos que julgávamos adquiridos. Um retrocesso silencioso, mas profundamente real.

Se conseguirmos construí-la, pelo contrário, abrimos a porta a um caminho diferente: um caminho de progresso, de justiça social e de valorização do trabalho.

E essa é, no fundo, a escolha que está hoje em cima da mesa.


Acção Socialista:

https://www.accaosocialista.pt/?edicao=1919#/1919/convergencia-sindical-condicao-para-defender-os-direitos-dos-trabalhadores

09 abril 2026

SINDICALISTAS SOCIALISTAS DA CGTP-IN SAÚDAM A UGT PELA REJEIÇÃO DA PROPOSTA DO PACOTE LABORAL

A Corrente Sindical Socialista (CSS) da CGTP-IN saúda a UGT e os seus dirigentes, socialistas, social-democratas e independentes, por hoje terem mostrado, de forma clara, a sua independência e autonomia face a pressões que vieram de várias instâncias políticas.

Num momento particularmente exigente para o movimento sindical e para o país, a rejeição de forma unânime do pacote laboral, demonstra que, quando está em causa o essencial, é possível colocar acima de tudo os interesses dos trabalhadores e das trabalhadoras. Prevaleceu, como deve sempre prevalecer, o interesse da classe trabalhadora, a defesa dos seus direitos, das suas condições de vida e de trabalho e da dignidade do trabalho.

Esta posição afirma, de forma inequívoca, um sindicalismo livre, autónomo e responsável, capaz de decidir em função da realidade concreta e das necessidades dos trabalhadores, e não condicionado por agendas externas ou lógicas partidárias. É este o caminho que valoriza o movimento sindical e reforça a sua credibilidade junto daqueles que representa.

Num tempo em que tantos procuram dividir, instrumentalizar ou enfraquecer as organizações representativas dos trabalhadores, esta decisão constitui um sinal importante de maturidade, de responsabilidade e de compromisso com os valores fundamentais do sindicalismo democrático: a defesa dos interesses da classe trabalhadora, a protecção do estado social, a democracia, a autonomia e o pluralismo.

Como temos afirmado, é com diálogo, respeito pelo pluralismo e autonomia sindical que se alcançam ganhos concretos para os trabalhadores. Hoje, a UGT deu um contributo fundamental nesse sentido.

Saudamos, por isso, esta decisão, convictos de que ela reforça o papel do movimento sindical na defesa do trabalho digno, da justiça social e de uma sociedade mais justa e solidária.

O Secretariado Nacional da CSS da CGTP-IN

Fotografia da UGT

08 abril 2026

Associação Amizade Portugal-Sahara Ocidental recebe a Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN

Reunimos hoje com a Associação Amizade Portugal-Sahara Ocidental para uma reflexão sobre a situação nos territórios ilegalmente ocupados por Marrocos, reforçando a nossa solidariedade com o povo saharaui e a defesa do seu direito à autodeterminação.

Num contexto internacional marcado por conflitos e injustiças, reafirmamos a importância da paz, dos direitos humanos e do respeito pelo direito internacional, valores que orientam a nossa ação e intervenção sindical e política.

A delegação da Corrente foi composta pelo Secretário-Geral, Fernando Gomes, e por Hugo Wever, do Conselho Nacional de Coordenação da CSS da CGTP-IN.

02 abril 2026

Saúde mental no trabalho: entre o direito, a responsabilidade social e o futuro do trabalho em Portugal (Acção Socialista n.º 1910 de 02.04.2026)

Por Mário Castro

A Saúde Mental é um Pilar da Sustentabilidade Laboral, pois tem uma dimensão central na dignidade no trabalho. Já não é apenas um tema de saúde pública, mas uma questão de segurança, produtividade e justiça social. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece que o trabalho pode ser simultaneamente um fator protetor e de risco para a saúde mental, dependendo da forma como é organizado, das condições de apoio e do equilíbrio entre exigências e recursos disponíveis.

Em Portugal, segundo dados do Observatório Nacional de Saúde, cerca de 30% dos trabalhadores apresentam níveis elevados de stress laboral, e 20% referem sintomas de ansiedade recorrente devido a dificuldades em conciliar responsabilidades profissionais e pessoais. 

Corroborando com esta realidade, um estudo realizado em Portugal no ano de 2025 “Estudo Nacional de Saúde”, 60% dos inquiridos consideraram que a saúde mental não é valorizada no local de trabalho.  Estes números refletem uma realidade crescente, em que o burnout (esgotamento), ansiedade e a depressão são hoje as principais causas de absentismo e perda de produtividade. 

Desta forma, o mesmo estudo recomenda que as empresas precisam de implementar programas de apoio concretos, formar lideranças e criar ambientes psicologicamente seguros.

O atual Código do Trabalho estabelece o regime da segurança e saúde no trabalho, impondo às entidades empregadoras o dever de avaliar e prevenir riscos profissionais, incluindo os psicossociais, como o stress ocupacional, o burnout, o assédio ou a violência laboral.

A Lei n.º 102/2009, de 10 de setembro, também aborda a promoção e prevenção da segurança e saúde no trabalho, incluindo a proteção contra riscos psicossociais. A lei transpõe para a ordem jurídica interna a Directiva n.º 89/391/CEE, do Conselho, de 12 de junho, e as Diretivas (UE) 2019/1152 e 2019/1158 que estabelecem ainda regras sobre condições previsíveis e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. 

Contudo, a prática demonstra que, apesar de as normas existirem, a prevenção dos riscos mentais ainda é deficiente. A maioria das empresas continua a focar-se em riscos físicos e ergonómicos, subvalorizando o impacto das relações interpessoais, das cargas horárias excessivas, ou da cultura de “sempre ligado” promovida pelo teletrabalho.

É necessário, para o bem dos trabalhadores e da produtividade das empresas que a legislação portuguesa evolua para tornar obrigatória a inclusão de fatores psicossociais nas avaliações de risco; exigir formação de chefias em liderança emocional e gestão saudável de equipas; criar instrumentos de monitorização de burnout e assédio psicológico; reforçar o papel das Comissões de Trabalhadores e dos Serviços de Saúde no Trabalho na prevenção, e não apenas na reação a crises.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) tem sido clara: o trabalho digno implica o acesso a ambientes seguros, inclusivos e psicologicamente saudáveis. A sua Convenção n.º 155 e a Recomendação n.º 194 sublinham que a proteção da saúde mental deve integrar-se na política nacional de segurança e saúde ocupacional. 

Para que os ambientes laborais sejam favoráveis a uma saudável saúde mental organizacional e dos trabalhadores é necessário a efetiva conciliação entre a vida laboral e familiar, constituindo este um desafio crucial.

A dificuldade em equilibrar a vida laboral e pessoal é um dos maiores fatores de risco psicológico. A pressão constante para ser produtivo, associada às exigências familiares, gera stress crónico, fadiga e culpabilidade. Muitos trabalhadores portugueses afirmam não conseguir separar trabalho e vida privada. 

Esta desconexão entre o tempo de trabalho e o tempo de vida cria terreno fértil para doenças mentais, que por sua vez impactam a economia: Segundo um estudo publicado na Revista Portuguesa de Saúde Ocupacional, 30 a 40% das ausências prolongadas ao trabalho são de origem psiquiátrica, com médias superiores a 200 dias de ausência. 

A transformação cultural e institucional necessária depende da vontade política e ação sindical organizada. Os sindicatos e as associações profissionais têm o dever de colocar a saúde mental na agenda da negociação coletiva, incluindo cláusulas sobre pressão laboral, cargas de trabalho e acompanhamento psicológico. Também deverão exigir transparência organizacional: auditorias externas a práticas de gestão, respeito por pausas, horários e métricas saudáveis de desempenho, incentivar programas de bem-estar laboral, com apoio psicossocial e flexibilização de horários.

A OIT tem defendido que a saúde mental é parte integrante do trabalho digno e que o compromisso político é essencial para a consolidação de ambientes de trabalho saudáveis e seguros. 

Desta forma, podemos concluir que promover a saúde mental no trabalho é mais do que cumprir a lei — é investir na dignidade, na produtividade e na sustentabilidade humana. A ausência de políticas eficazes de prevenção e conciliação terá custos sociais e económicos incalculáveis. 

Por todas estas razões é necessário combater o pacote laborar proposto por este governo, pois ao desregular previsibilidade de horários de trabalho (banco de horas individual), assim como dificultar a atribuição de horário flexível, diminuir os direitos na parentalidade e precarizar mais os trabalhadores só poderá prejudicar a conciliação entre a vida laboral e familiar e concomitantemente a saúde mental de todos os trabalhadores e trabalhadoras deste país. 

O futuro do trabalho em Portugal deve assentar num novo contrato social, onde o equilíbrio entre desempenho e bem-estar seja o verdadeiro critério de sucesso.

Enquanto o trabalho continuar a ser um pilar da identidade e subsistência humana, a sua saúde mental deve ser tratada como um direito fundamental — e não como um luxo organizacional.

Acção Socialista:

https://www.accaosocialista.pt/?edicao=1910#/1910/saude-mental-no-trabalho-entre-o-direito-a-responsabilidade-social-e-o-futuro-do-trabalho-em-portugal