18 junho 2026

Pela derrota do Pacote Laboral: Em defesa dos trabalhadores, construir convergências sindicais e sociais

A Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN (CSS da CGTP-IN) saúda todos os trabalhadores e trabalhadoras que participaram na Greve Geral de 3 de Junho de 2026 e nas múltiplas acções de luta realizadas em todo o país contra o Pacote Laboral do Governo PSD/CDS, apoiado pelo CHEGA e pela Iniciativa Liberal.

A Greve Geral constituiu um poderoso momento de luta, resistência e afirmação colectiva da Classe Trabalhadora contra um projecto profundamente reaccionário, que procura agravar a exploração, enfraquecer os direitos laborais e atacar conquistas alcançadas com a Revolução de Abril.

Nos locais de trabalho, nas empresas e serviços, no sector privado, na Administração Pública e no Sector Empresarial do Estado, milhares de trabalhadores demonstraram que rejeitam mais precariedade, mais desregulação dos horários, mais baixos salários, mais facilitação dos despedimentos e mais fragilização da contratação colectiva.

A crescente rejeição do Pacote Laboral expressou-se nas grandes manifestações realizadas em todo o país, nas mais de 190 mil assinaturas recolhidas no abaixo-assinado da CGTP-IN, nas Greves Gerais de 11 de Dezembro de 2025 e de 3 de Junho de 2026 e em inúmeras acções reivindicativas e de protesto desenvolvidas nos locais de trabalho.

A CSS da CGTP-IN saúda particularmente os milhares de jovens trabalhadores que participaram nesta jornada de luta, muitos deles enfrentando vínculos precários, chantagens patronais e pressões ilegítimas. A sua participação demonstra que existe disponibilidade para lutar e confiança na força da acção colectiva organizada.

Saudamos igualmente todos os dirigentes, delegados e activistas sindicais, bem como todas as estruturas representativas e organizações sindicais que convergiram nesta luta comum contra o Pacote Laboral. A experiência vivida nos locais de trabalho demonstrou, uma vez mais, que a unidade na acção, a solidariedade e a convergência sindical constituem factores decisivos para fortalecer a mobilização dos trabalhadores e aumentar a capacidade de resistência e combate.

A dimensão do ataque contido neste Pacote Laboral exige que sejam convocadas todas as forças disponíveis para alcançar o objectivo central do momento presente: derrotar o Pacote Laboral.

Este é o objectivo central dos trabalhadores e trabalhadoras. Este é o objectivo central de todas as forças sindicais e sociais democráticas e progressistas. Derrotar este Pacote Laboral é travar uma ofensiva de retrocesso social e laboral promovida pela direita revanchista e pela extrema-direita fascizante, que procuram enfraquecer direitos fundamentais e atacar conquistas históricas de Abril.

A CSS da CGTP-IN considera que este objectivo só poderá ser plenamente alcançado através da construção de uma verdadeira convergência sindical e social, envolvendo a CGTP-IN, a UGT, os Sindicatos Independentes, as estruturas representativas dos trabalhadores, os movimentos sociais e as organizações da Sociedade Civil disponíveis para defender os direitos laborais, a dignidade do trabalho e os valores democráticos consagrados na Constituição da República Portuguesa.

Perante um ataque desta dimensão, todos somos poucos para o combater e vencer. Não há espaço para sectarismos, autossuficiências estéreis, divisões artificiais ou lógicas de isolamento. O que os trabalhadores exigem é unidade na luta, convergência na acção e capacidade para construir respostas comuns em defesa dos salários, da contratação colectiva, da estabilidade no emprego, da liberdade sindical, do direito à greve e dos direitos sociais e laborais conquistados.

A CSS da CGTP-IN sublinha igualmente a coragem demonstrada pelos trabalhadores perante as inúmeras tentativas de intimidação e condicionamento do exercício do direito à greve. Desde a imposição abusiva de serviços mínimos transformados em serviços máximos, às alterações de horários, substituições ilegais de grevistas e múltiplas formas de pressão patronal, foram muitos os mecanismos utilizados para tentar limitar o impacto da luta. Ainda assim, os trabalhadores responderam com firmeza e determinação.

O êxito da Greve Geral reafirmou que os trabalhadores não se resignam e estão preparados para continuar a luta contra o Pacote Laboral e contra uma política ao serviço dos grupos económicos e financeiros.

Os trabalhadores sabem que este Pacote Laboral pretende perpetuar baixos salários, agravar a precariedade, facilitar despedimentos, prolongar horários, enfraquecer a contratação colectiva, atacar direitos de maternidade e paternidade, limitar a liberdade sindical e fragilizar o direito à greve. Trata-se de um profundo retrocesso social, laboral e democrático que deve ser travado — e pode ser derrotado.

A CSS da CGTP-IN considera igualmente grave a tentativa do Governo de acelerar o processo legislativo, procurando antecipar a votação na generalidade antes mesmo da conclusão do período de consulta pública, numa demonstração de arrogância política e desrespeito pelos trabalhadores e pelas suas organizações representativas.

A luta continua e exige persistência, organização e alargamento da convergência sindical e social. É necessário aprofundar o trabalho comum entre sindicatos, estruturas representativas dos trabalhadores, movimentos sociais e organizações democráticas da Sociedade Civil, reforçando a mobilização nos locais de trabalho e promovendo iniciativas convergentes de combate ao Pacote Laboral.

Não aceitamos retrocessos. Defendemos um outro caminho para o país, assente na valorização do trabalho e dos trabalhadores, no reforço dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, na defesa da contratação colectiva, no aumento dos salários e das pensões, no combate à precariedade e no respeito pelos valores e direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa e nas conquistas de Abril.

Neste quadro, a CSS da CGTP-IN considera necessário:

  • Intensificar a mobilização e a luta pela derrota do Pacote Laboral, reforçando a acção reivindicativa nos locais de trabalho, empresas e serviços;
  • Desenvolver acções convergentes de trabalhadores, sindicatos, movimentos sociais e organizações democráticas em todo o país;
  • Continuar os contactos e esforços de convergência sindical com a UGT e os Sindicatos Independentes, procurando construir iniciativas comuns de combate ao Pacote Laboral;
  • Reforçar os contactos e o trabalho conjunto com movimentos sociais e organizações da Sociedade Civil;

A Corrente Sindical Socialista da CGTP-IN reafirma, assim, a necessidade de participação na concentração de amanhã, 18 de Junho, às 13h30, em frente à Assembleia da República.

Vamos derrotar o pacote laboral!


Acção Socialista:

https://www.accaosocialista.pt/?edicao=1961#/1961/pela-derrota-do-pacote-laboral-em-defesa-dos-trabalhadores-construir-convergencias-sindicais-e-sociais

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