12 junho 2026

Em defesa dos trabalhadores, construir convergências sindicais e sociais

Proposta de Resolução Alternativa:

A proposta de resolução que apresentámos hoje ao Conselho Nacional da CGTP-IN, que está a decorrer, defende o aprofundamento da luta contra o chamado “Pacote Laboral” do Governo PSD/CDS, acusando o executivo de promover um “profundo retrocesso civilizacional e democrático” com o apoio do CHEGA e da Iniciativa Liberal.

O documento sublinha a necessidade de construir uma “verdadeira convergência sindical e socialentre a CGTP-IN, a UGT, Sindicatos Independentes, Movimentos Sociais e Organizações da Sociedade Civil para derrotar as alterações à legislação laboral.

Porém, este projecto de RESOLUÇÃO apresentado pelos sindicalistas da CSS foi rejeitado, quer no seu todo, quer nas suas ideias essenciais, pela maioria do Conselho Nacional da CGTP-IN, tendo sido aprovada, por essa mesma maioria, uma outra RESOLUÇÃO, relativamente à qual os sindicalistas da CSS se abstiveram (e que pode ser encontrada no site da CGTP-IN, em https://www.cgtp.pt/cgtp-in/areas-de-accao/accao-reivindicativa/22582-resolucao-aprovada-pelo-conselho-nacional-da-cgtp-in-junhopermitindo, assim, a comparação entre ambas as Resoluções e a compreensão da essência político-sindical que as diferencia).

Conselho Nacional da CGTP-IN

12 de Junho de 2026

A luta continua

Pela derrota do Pacote Laboral

Em defesa dos trabalhadores, construir convergências sindicais e sociais

A Greve Geral realizada no passado dia 3 de Junho constituiu um poderoso momento de luta, resistência e afirmação colectiva dos trabalhadores contra o retrocesso social e laboral que o Governo do PSD/CDS, com o apoio do CH e da IL, procura impor ao país através do seu Pacote Laboral.

Nas empresas, serviços e locais de trabalho, no sector privado, na Administração Pública Central, Regional e Local e no Sector Empresarial do Estado, milhares de trabalhadores demonstraram, com coragem e determinação, que não aceitam mais precariedade, mais exploração, mais desigualdades nem o enfraquecimento dos direitos conquistados com Abril.

A crescente rejeição do Pacote Laboral foi expressa nas grandes manifestações realizadas em todo o país, nas mais de 190 mil assinaturas recolhidas no abaixo-assinado, nas Greves Gerais de 11 de Dezembro de 2025 e de 3 de Junho de 2026, e em inúmeras acções de luta desenvolvidas nos locais de trabalho. Os trabalhadores exigem, agora, a derrota inequívoca deste pacote laboral.

O Conselho Nacional da CGTP-IN saúda todos os trabalhadores que aderiram à Greve Geral e, de forma particular, os milhares de jovens trabalhadores que, enfrentando vínculos precários, chantagens e pressões patronais, participaram pela primeira vez numa grande jornada de luta colectiva, demonstrando confiança na força da acção organizada dos trabalhadores.

Saudamos igualmente os dirigentes, delegados e activistas sindicais da CGTP-IN, bem como todos os trabalhadores, estruturas representativas e organizações sindicais que convergiram nesta luta comum contra o Pacote Laboral. A experiência vivida nos locais de trabalho demonstrou, uma vez mais, que a unidade na acção, a solidariedade e a convergência sindical são factores decisivos para fortalecer a mobilização dos trabalhadores e ampliar a capacidade de resistência e combate.

O Conselho Nacional considera que a dimensão dos ataques contidos no Pacote Laboral exige a convocação de todos os recursos para alcançarmos o objectivo central que temos neste momento - derrotar o Pacote Laboral!

Este é o objectivo central que temos, este é o objectivo central da Classe Trabalhadora, este é o objectivo central de todas as forças sindicais e sociais com princípios democráticos e progressistas! Derrotar o Pacote Laboral é essencial para travar a ofensiva que a Direita revanchista e a Extrema-direita fascizante procuram desenvolver para se vingarem do 25 de Abril e reverterem as suas grandes conquistas sociais, laborais e democráticas!

Este objectivo central dos trabalhadores e trabalhadoras impõe uma estratégia composta por uma resposta ampla, convergente e determinada para derrotar o Pacote Laboral. É possível alcançar este objectivo, mas temos a consciência que este ataque é muito grande e profundo.

Por esta razão, consideramos que todos, mas mesmo todos, são necessários para que este objectivo central seja alcançado.

É neste quadro que defendemos que só será possível derrotar este Pacote Laboral com a construção de uma verdadeira convergência sindical e social, envolvendo a CGTP-IN, a UGT, os Sindicatos Independentes e todas as estruturas representativas dos trabalhadores disponíveis para defender os direitos laborais e a dignidade do trabalho e os variados movimentos sociais e as diversas organizações da Sociedade Civil.

Perante um ataque desta dimensão, todos somos poucos para o combater e vencer - não há espaço para autossuficiências estéreis, sectarismos, divisões artificiais ou lógicas de isolamento. O que os trabalhadores exigem é unidade na luta, convergência na acção e capacidade de construir respostas comuns que coloquem acima das diferenças aquilo que une o movimento sindical: a defesa dos salários, da contratação colectiva, da estabilidade no emprego, do direito à greve, da liberdade sindical e dos direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa e, inclusive, da própria Constituição da República Portuguesa.

O Conselho Nacional sublinha igualmente e saúda calorosamente a coragem demonstrada pelos trabalhadores perante as inúmeras tentativas de intimidação e condicionamento do exercício do direito à greve. Desde a imposição abusiva de serviços mínimos transformados em serviços máximos, às alterações de horários, substituições ilegais de grevistas e múltiplas formas de pressão patronal, tudo foi utilizado para tentar limitar o impacto da luta. Ainda assim, os trabalhadores responderam com determinação e firmeza.

O êxito da Greve Geral reafirmou que os trabalhadores não se resignam e estão preparados para continuar a luta pela derrota do Pacote Laboral e contra a política da direita que favorece os grupos económicos e financeiros à custa da exploração de quem trabalha.

Os trabalhadores sabem que este Pacote Laboral pretende perpetuar baixos salários, facilitar despedimentos, agravar a precariedade, prolongar horários, enfraquecer a contratação colectiva, atacar direitos de maternidade e paternidade, limitar a liberdade sindical e fragilizar o direito à greve. Trata-se de um profundo retrocesso civilizacional e democrático que deve ser travado – e pode ser derrotado!

O Conselho Nacional considera particularmente grave a tentativa do Governo de acelerar o processo legislativo, procurando antecipar a votação na generalidade antes mesmo da conclusão do período de consulta pública, numa demonstração de arrogância política e de desrespeito pelos trabalhadores e pelas organizações representativas.

O Conselho Nacional reafirma que a luta continua e exige persistência, organização e alargamento da convergência sindical e social. É necessário alargar e aprofundar o trabalho comum entre trabalhadores, sindicatos e estruturas representativas, entre a CGTP-IN e as suas estruturas e os movimentos sociais e as organizações da Sociedade Civil, reforçando a mobilização nos locais de trabalho e promovendo iniciativas sindicais e sociais convergentes de combate ao Pacote Laboral.

Não aceitamos retrocessos. Exigimos um outro caminho para o país, assente na valorização do trabalho e dos trabalhadores, no reforço dos serviços públicos e das funções do Estado Social, na defesa da contratação colectiva, na melhoria dos salários e das pensões, no combate à precariedade e no cumprimento dos valores e direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa e nas conquistas de Abril.

Assim, o Conselho Nacional decide:

- Realizar de imediato uma Concentração no próximo dia 18 de Junho, às 13h30, em frente à Assembleia da República, com uma ampla mobilização, no momento em que estará a ser discutido o Pacote Laboral, reafirmando a sua rejeição e a exigência da sua derrota, expressa de forma inequívoca nas Greves Gerais;

- Continuar a realizar contactos com a UGT para analisar a actual situação e estabelecer um quadro de intervenção e acção para derrotar o Pacote Laboral;

- Reestabelecer e reforçar os contactos habituais com os movimentos sociais e as organizações da Sociedade Civil para dinamizar intervenções e acções contra o Pacote Laboral nas regiões ou áreas de trabalho;

- Desenvolver e intensificar a luta pela derrota do Pacote Laboral, dando continuidade à forte mobilização expressa na Greve Geral e reforçando a  acção reivindicativa nos locais de trabalho, empresas e serviços, pelo aumento dos salários, pelos direitos, pela contratação e pela negociação colectiva, pelas reivindicações constantes nos cadernos reivindicativos, criando condições para avançar na valorização e na conquista de melhores condições de vida e de trabalho;

- O desenvolvimento de acções de trabalhadores nas empresas, locais de trabalho e nas ruas, nos vários sectores e em todo o País, com tomada de posição para a rejeição e derrota do Pacote Laboral e pela defesa dos direitos e reivindicações dos trabalhadores;

- Reafirmar, como acção central e prioritária, a luta pelo aumento dos salários para todos os trabalhadores em, pelo menos, 15%, num valor não inferior a 150€, nos locais de trabalho e nas empresas onde ainda não houve aumentos salariais. E, nos locais de trabalho e empresas cujos aumentos salariais verificados foram insuficientes e não responderam às necessidades e reivindicações dos trabalhadores, avançar com a exigência de aumentos intercalares para fazer face ao brutal aumento do custo de vida;

- Potenciar o trabalho de sindicalização e reforço de organização, integrando no colectivo e na luta reivindicativa organizada todos aqueles que se sindicalizaram durante a mobilização para a Greve Geral e durante a própria Greve, particularmente os jovens trabalhadores;

- Afirmar a determinação de recorrer a todas as formas de luta que a situação imponha, com vista à derrota do pacote laboral, à defesa dos direitos dos trabalhadores e à melhoria das suas condições de trabalho e de vida, apelando a todos os trabalhadores para que se mantenham firmes neste combate, e a todas as estruturas sindicais e organizações de trabalhadores para que mantenham a posição, o envolvimento e a convergência na luta pela rejeição do Pacote Laboral.

O Conselho Nacional da CGTP-IN aponta, assim, o caminho de continuação da luta, contra o retrocesso e a exploração, desde logo contra o pacote laboral de assalto aos direitos, pela revogação das normas gravosas da legislação laboral já em vigor, por mais salário, mais direitos e melhores serviços públicos.

A luta continua – Rumo à derrota do Pacote Laboral!

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